7.3.26

115 anos depois: as mulheres conquistaram direitos ou apenas mais deveres?

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data comemorativa. Ele representa uma história de luta por direitos, reconhecimento e igualdade. Há mais de um século, mulheres saíram às ruas para reivindicar aquilo que hoje parece básico: melhores condições de trabalho, salários mais justos, direito ao voto e respeito à sua dignidade.

Mulheres na manifestações/reprodução internet


Mais de 115 anos depois dessas primeiras manifestações, a pergunta que permanece é inevitável: quanto realmente avançamos?

Em 19 de março de 1911 ocorreu uma das primeiras manifestações internacionais organizadas pela luta por igualdade entre homens e mulheres. Porém, a data que se consolidou mundialmente foi o 8 de março de 1917, quando mulheres russas foram às ruas em protesto por melhores condições de vida e trabalho.

Apesar das manifestações anteriores, somente em 1975 a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente a data, marcando definitivamente o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

O início das mulheres no mercado de trabalho

A Primeira Guerra Mundial teve um papel importante na inserção das mulheres no mercado de trabalho. Com a convocação dos homens para a guerra, surgiu uma grande falta de mão de obra, e as mulheres passaram a ocupar funções que antes eram predominantemente masculinas, garantindo que fábricas e setores produtivos continuassem funcionando.

mulheres no mercado de trabalho durante a 1° Guerra Mundial/imagem internet


Foi nesse contexto que muitas passaram a trabalhar nas fábricas, principalmente nas indústrias têxteis. Com o tempo, ficou evidente a desigualdade existente: salários menores, condições de trabalho precárias e limitações de direitos, como o voto.

Essas diferenças despertaram questionamentos e fortaleceram as mobilizações femininas em busca de direitos mais justos.

Conquistamos direitos ou apenas mais deveres?

Hoje temos direito ao voto, uma conquista histórica importante. Mas e os salários? E as oportunidades de crescimento profissional? Na política, por exemplo, as mulheres têm o reconhecimento que realmente merecem?

Tenho a impressão de que, de alguma forma, ainda precisamos de mais reconhecimento. E não digo isso no sentido de slogans como “meu corpo, minhas regras”, mas no sentido de não parecer que certas oportunidades são concedidas como um favor. 

A sensação que muitas vezes fica é a de que, em determinados cargos ou setores, a presença feminina ainda precisa ser justificada, como se fosse uma concessão e não um reconhecimento de competência. 

Também percebo que, nos dias atuais, muitas vezes a própria causa acaba sendo banalizada. Principalmente quando movimentos antifeministas transformam a luta por direitos em uma suposta competição entre homens e mulheres.

Curiosamente, muitas dessas vozes estão hoje na política, sem reconhecer que o direito de estarem ali foi conquistado por feministas que saíram às ruas no século passado.

Ao mesmo tempo, o que observamos hoje, diante do crescente número de casos de feminicídio, é que ainda não conquistamos aquilo que talvez seja o mais importante: o reconhecimento de que somos múltiplas.

Não somos todas iguais. E nem precisamos ser.

Nem toda mulher que defende o feminismo tem “suvaco peludo”. Esse tipo de comparação, além de reforçar estereótipos, não contribui em nada para um debate sério.

O que muitas mulheres realmente querem...



Eu quero, sim, ganhar flores, mas também quero ser ouvida.

Eu quero ganhar aquele mimo da empresa, mas também quero ser promovida.

Eu quero ocupar cargos importantes e não ser reduzida ao estereótipo de uma mulher não feminina.

Eu quero poder dar minha opinião sem ouvir que devo me colocar no meu lugar.

Eu quero poder me exaltar quando achar necessário, sem ser taxada de louca ou descontrolada apenas por ser mulher.

Essa luta ainda tem muito a conquistar. E talvez o primeiro passo seja parar de tratar essa causa como uma guerra de sexos.

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data para homenagens, mas também um momento para refletir sobre o caminho já percorrido e sobre os desafios que ainda permanecem.

Feliz Dia das Mulheres.

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